Meta na sua cabeça

25/8/2011 - Elenco de "Glee" faz cover de David Bowie para divulgar evento de moda
   

O elenco de "Glee" gravou um clipe especial para divulgar a edição de 2011 do "Fashion's Night Out". No clipe, a trupe do estrelado seriado americano faz um cover de "Fashion" do cantor David Bowie.

O "Fashion's Night Out" foi criado em 2009 por Anna Wintour, toda-poderosa da Vogue norte-americana, para fomentar o consumo em meio à crise econômica.

No dia do evento, várias lojas de rua e shoppings estendem seu horário de funcionamento noite adentro. DJs são convocados para animar as vendas e celebridades atacam de vendedores. O mais bacana é que parte da renda obtida é doada para a City Aids Fund in the Community Trust, instituição que cuida de projetos ligados ao combate à doença.

Além do clipe, a turma de "Glee" foi clicada para um editorial da edição de setembro da Vogue América, também para divulgar o evento. O "Fashion's Night Out" rola no dia 8 de setembro em Nova York, dia 12 em São Paulo, 13 no Rio e em mais 17 cidades do mundo. Assista ao clipe abaixo.

24/8/2011 - Cidade no Paraná obriga exame de HIV para aceitar candidato em concurso público
   

A partir de um edital, a prefeitura de Matinhos, no litoral do Paraná, exige que os candidatos a concurso público apresentem teste de HIV. O concurso é para vagas em setores de administração, educação, saúde e serviços gerais. A apresentação do exame tem caráter eliminatório.

Em entrevista ao portal UOL, o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, disse que a obrigação de se apresentar o exame de HIV é "absurda" e que contraria as normas adotadas pelo Brasil na Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Reis disse ainda que a associação solicitou ao prefeito que retificasse os editais, mas que até agora ninguém se pronunciou. O presidente da ABGLT frisou que se não houver mudanças entrará com um mandado de segurança no Ministério Público Estadual.

23/8/2011 - Personagem de Tuca Andrada no teatro retrata a realidade de muitos gays
   

Em cartaz no Teatro Renaissance, a peça escrita pelo americano Richard Alfieri "Seis Aulas de Dança em Seis Semanas" traz os personagens Lily (Sueli Franco) e Michael (Tuca Andrada), uma senhora de classe média com idade flutuante e um professor de dança que ministra aulas em domicílio.

Durante as seis semanas de aulas, eles vão se conhecendo e a cada dia acabam discutindo sobre diversos pontos presentes na vida de muita gente, principalmente a solidão. Esse sentimento serve de pontapé inicial para o debate sobre outros temas. Por mais que ambos sejam sozinhos, cada um encontrou um método de levar a vida à sua maneira - para Lily, as aulas são um remédio e tanto.

Michael é um gay comum e fácil de encontrar em qualquer roda de amigos. Sem afetações e bem resolvido, seus diálogos trazem gírias da cultura gay e expressões divertidas. Solteiro e descrente de relacionamentos, ele projeta sua vida no trabalho e encontra em Lily uma amiga e companheira com quem briga o tempo todo.

Apesar da temática central não ser gay, o personagem de Tuca é homossexual e cumpre um importante papel de discutir assuntos que permeiam o cotidiano, como o preconceito e todos os clichês recorrentes. Ao contar para Lily sobre a morte de um namorado, ela já imagina que ele tem HIV e sua pronta resposta é: "viado não morre só de Aids, ele morreu de câncer no pâncreas". Ao abrir o coração para sua aluna, o personagem de Tuca Andrada discute também a importância do companheirismo e do afeto ao outro.

Dialogando para uma plateia formada majoritariamente por casais heterossexuais com mais de 40 anos, a comédia vai além de entreter ao abordar a questão gay: é esclarecedora principalmente para pessoas que vivem distante de outros homossexuais e que por muitas vezes têm uma visão estereotipada dessa parcela da população.

Serviço:
Teatro Renaissance
Alameda Santos, 2233
Horário: sexta, às 21h30; sábado, às 21h; domingo, às 19h
Até 2 de outubro
Duração: 90 minutos
Preço (individual): sexta e domingo, R$ 70; sábado, R$ 80 
Classificação: 12 anos

23/8/2011 - Garotos michês continuam em cartaz em SP; compare as duas peças sobre o tema
   

O mês de agosto recebeu as estreias de duas peças teatrais em São Paulo, que abriram temporada quase simultaneamente: "Garotos Noturno" e "Garotos da Noite". Ambas semelhantes não apenas nos títulos, mas na temática: o universo dos michês paulistanos.

A primeira estreou em 4 de agosto. "Garotos Noturno" tem texto de Gladston Ramos e direção de Sebah Vieira, e um elenco formado por nove atores. Todos interpretam garotos de programa às voltas com as agruras da profissão. Alguns atores também se revezam em outros personagens - basicamente, os clientes dos michês.

O problema do espetáculo começa no texto, que na ânsia de retratar todos os dramas dos michês acaba se perdendo e ficando sem foco. Não existe um protagonista definido e a plateia fica perdida, acompanhando histórias e episódios que muitas vezes não são concluídos ou ficam soltos no espetáculo.

Depois, vem a direção. Faltou impor uma unidade ao conjunto, para que o resultado final criasse a ideia de um mosaico sobre a profissão. No fim o espetáculo fica parecendo com uma tapeçaria ainda não finalizada, não alinhavada.

Contribui para isso a opção por estranhos números musicais que entremeiam a narrativa. São coreografias abstratas que não dizem a que vieram - mesmo por que são executadas com certa dificuldade pelos atores. Esses, por sua vez, demonstram inexperiência no ofício da atuação. Falta segurança e presença em praticamente todos, com exceção de Fernando Cursino.

Apesar de tudo, sobram alguns bons momentos, como a cena em que um dos michês é entrevistado por uma voz em off - gravada pela drag Lully Fashion, que mesmo sem dar as caras, rouba a cena só com a voz.

Já "Garotos da Noite", que estreou em 12 de agosto, se sai melhor. Com texto de Thiago Salles e direção de René Ramos, o espetáculo consegue montar um retrato mais profundo do tema. Em primeiro lugar, porque elege apenas três personagens: os michês Cabral, Bambolê e Estrela.

Focando nos três, o texto consegue aprofundar os dramas e situações de cada um. Assim, o espectador consegue de fato conhecer cada um deles, entender quem é quem, de onde vieram, para onde desejam ir etc. Ou seja, os personagens ganham tridimensionalidade.

A direção também opta por algumas boas saídas. Os três atores encarnam rapidamente personagens paralelos, e para isso se utilizam de bizarras máscaras que criam um efeito interessante e irreverente. Os intérpretes demonstram segurança no palco, o que também ajuda bastante.

Por fim, o jogo entre os três é instigante. O autor Thiago Salles encarna o sentimental Cabral, resistindo em se entregar à profissão e desejando mudar de vida; Chico Ribas, como Bambolê, escolhe o exagero e acaba se saindo bem, criando um tipo próximo de desenhos animados e HQs, mas ao mesmo tempo realista; e Wilsinho Torres faz o "michê do mal", o vilãozinho do mercado, com certa veracidade.

O ponto fraco acaba sendo o desfecho, que busca dar um final a cada personagem e assim escolhe caminhos que vão do previsível ao moralista. Apesar disso, o espetáculo tem um saldo bastante positivo.

O universo dos michês, que tanto fascínio exerce entre os não-michês, sempre foi tema excitante para o cinema e o teatro. O espetáculo "Blue Jeans", de Zeno Wilde, marcou época nos anos 80 e início dos 90 e ganhou diversas montagens. No cinema, Gus Van Sant atingiu a perfeição ao abordar o tema com tintas pasolinianas em "Garotos de Programa" (My Own Private Idaho).

Talvez um dia se descubra que, no fundo, a vida dos michês não é tão emocionante assim. Enquanto isso, novas visões sobre esse universo virão à tona. Os resultados variam muito e ao público fica a oportunidade de conferir e tirar suas próprias conclusões. Os garotos (todos) continuam em cartaz.

Serviço:
Garotos da Noite

Sexta e Sábado, 21h / Domingo, 19h
Teatro Cacilda Becker - Rua Tito, 295 / Lapa
R$ 10 - Até 18/09

Garotos Noturno
Quinta, 21h
Teatro do Ator - Praça Roosevelt, 172 / Consolação
R$ 20 - Até 27/10

22/8/2011 - Cinema Mostra Aids
   

Me lembro quando era pré-adolescente e meu irmão, onze anos mais velho que eu, curtia Legião Urbana e tantas outras bandas de rock nacional. Renato Russo tinha gravado álbuns solo, em italiano (e depois, descobri, em inglês também). Cazuza já tinha estampado a capa da revista "Veja" mostrando o estado debilitado em que se encontrava por conta de uma doença terrível, devastadora, desconhecida e mortal: eram os tempos das primeiras vítimas da Aids.
 
Uma cena muito clara em minha mente. Estávamos voltando do médico – minha mãe tinha ido a uma consulta – e meu irmão, aquele que mencionei acima, tinha nos levado até o consultório e na volta ele tocava no carro o CD solo do Renato Russo, "Equilíbrio Distante". Músicas que eu adorava (e ainda adoro), uma voz maravilhosa e um comentário do meu irmão: “Nossa, imaginar que ele tá com Aids”. Em 1996, quando Renato morreu, vítima da doença, eu sequer tinha conhecimento do que era a Aids. Sabia, somente, que era algo muito perigoso e que se transmitia sexualmente. Muitos eram os mitos e verdades sobre a doença.
 
Pouco tempo depois, minha família descobriu que uma pessoa relativamente próxima de nós estava com o vírus do HIV. E quando a encontramos, estava em estado bastante debilitado. O marido havia morrido por conta de problemas decorrentes da doença (num tempo onde pouco se falava de coquetel) e a esposa descobrira que estava também com o vírus. No entanto, por conta dos novos tratamentos, ela conseguiu se recuperar e hoje é uma pessoa que vive normalmente: mãe dedicada, avó carinhosa e uma profissional como qualquer outra. Hoje, o HIV é só um detalhe na vida desta pessoa.
 
Mas nem sempre foi assim. A Aids causou verdadeiro pânico nas décadas de 1980 e 1990 - e com motivos. O que fez surgir preconceitos, medos e mitos. O próprio movimento gay teve de se repensar por conta da epidemia e, neste momento, a luta por direitos foi posta em segundo plano por uma luta mais importante – a luta pela vida. Somente após 1995, com a uso mais difundido dos novos medicamentos, é que o movimento gay voltou a pensar na luta pela cidadania e pelos direitos humanos. Não é coincidência que a primeira Parada do Orgulho LGBT aconteceu em 1997.
 
As gerações mais novas que a minha têm uma visão bem diferente do que é a Aids e o HIV, diferente da minha e radicalmente diferente das gerações que viveram – ou sobreviveram – ao momento mais crítico da doença. Por este motivo, talvez, é que o uso de preservativos entre jovens e adolescentes tem se tornado menos comum. Afinal, a Aids não é tão mais assustadora como foi em outras décadas. No entanto, o preconceito em relação aos portadores do vírus ainda é grande e uma carga de moralismo radical recai sobre os que têm o HIV. O que deixa bem evidente as confusões e desconhecimento do povo brasileiro em relação às doenças sexualmente transmissíveis.
 
Na última sexta-feira, no Centro Cultural São Paulo, estreou a VII Cinema Mostra Aids, que vai até o dia 25 de agosto. Nela, documentários de longa, média e curta duração mostram histórias sobre o impacto da Aids na vida das pessoas. Doença essa que afeta 3 milhões de pessoas por ano.
 
Para conferir a programação completa da mostra, clique aqui.
 
Tá dado o recado...
 
Beijo, beijo, beijo... Fui...

11/8/2011 - Ribeirão Preto recebe "Semana da Diversidade Sexual"; confira a programação
   

A cidade de Ribeirão Preto terá uma programação especial para a sua 7ª Parada Gay. A "Semana da Diversidade Sexual", que acontece entre os dias 15 e 21 de agosto, irá promover um ciclo de palestras e debates.

Parte do calendário de eventos culturais da cidade, a Parada Gay de Ribeirão conta com apoio financeiro do município em R$ 15 mil. Este ano, o tema da manifestação alude às famílias: "Família: onde tudo nasce, nasce também a homofobia. Basta de homofobia".

Segundo divulgou a organização do evento, a Parada vai contar com cinco trios elétricos. A expectativa de público para este ano é de dez mil pessoas.

Confira a programação: 
- De 15 a 19: Exposição "Homofobia Fora de Moda"
- Dia 16: Debate "Dificuldades do Assédio Moral", na Subsede da CUT
- Dia 17: Orientações DST/Aids e exibições de filmes temáticos, na Praça 7 de Setembro
- Dia 18: Palestra "Questões Homofóbicas e Estatísticas", no Centro de Referência em DST/Aids
- Dia 18: Palestra "Liderança", no Centro de Referência em DST/Aids
- Dia 19: Palestra "Definições da identidade sexual durante a gestação", no Centro de Referência em DST/Aids
- Dia 20: Café Filosófico com o escritor Kadu Lago, na sede da OAB/Ribeirão
- Dia 21: Parada Gay, a partir das 13h, na Avenida Nove de Julho

10/8/2011 - Drags everywhere!
   

Pois é... Vida de drag é babado mesmo, mas nem sempre é só de glamour. Aliás, se pensar bem, o glamour ocupa o menor espaço da agenda de uma drag, o resto, meus amores, é trabalho... E trabalho pesado!!! O que inclui ficar horas sem ir ao banheiro, comer um sanduíche murcho no carro ou outras coisinhas mais... Isso sem contar nas horas intermináveis de maquiagem, produção etc...
 
Esta semana mesmo, já estou na correria, aliás, correria que vem engatada desde a semana passada. Já estou começando a fazer as filmagens de uma matéria que ainda não posso adiantar, mas, que tem haver com Hollywood... Afinal, "... everybody comes to Hollywood", já diz Madonna em sua canção.
 
Semana passada também foi bem agitado, do jeitinho que eu adoro. Eu e minha deliciosa amiga Tchaka, demos o ar da graça em alguns lugares da cidade. Fomos ao Conjunto Nacional e à livraria Cultura para o lançamento do livro de um colunista da Folha, o Zé Simão. A livraria estava lotada de pessoas belíssimas que foram pegar um autógrafo do moço e Tchaka e Cindy compraram o livro, e foram pedir o autógrafo ao moço. No entanto, a fila estava gigante e a cidade nos esperava. Como não foi possível ficar na fila, acabamos por apenas tirar uma foto mostrando um trabalho, sem dúvida, imperdível... Simão, nos encontramos na fila do Pastorinho qualquer dia!!!
 
Saindo da livraria, cruzamos a Avenida Paulista que parou para que pudéssemos atravessar... Nada demais, era só o semáforo fechado (risos). Entramos no Center 3 para ir buscar o carro, e fizemos a festa com as pessoas que trabalham no local, em especial, com as meninas de um quiosque de maquiagem. Pausa para foto, beijinhos... E fui...
 
Chegamos então ao Teatro do Ator, onde estreou o espetáculo "Garotos Noturno", um texto babado de Gladston Ramos, direção de Sebah Vieira e no elenco os deliciosos Rodrigo Mezenga, Marcelo Zen, Eduardo Lima, Roberto Mafra, Fernando Cursino, Danilo Almeida, Marcello França, Giuliano Spaladari. Trata-se da história de garotos de programa, seus dramas, seus medos, a violência e o mundo das drogas presentes em sua rotina. Com dança, muitos corpos deliciosos e momentos ímpares (de rir e chorar) o espetáculo arrasou e agradou quem estava presente na estréia, que teve direito a coquetel e tudo mais... Pena que não vinha um dos meninos de brinde... (risos).
 
Mas foi ótimo. Encontramos pessoas queridas, conversamos, bebemos, tiramos fotos... Entre as delicias cremosas que estavam lá, encontrei Silvetty Montilla (desmontada!), Dindry Buck, Lisa Crazy, Lully Fashion, Eduardo Cardoso, Bill da Pizza...
 
No final, meu amor, acabamos causando na Bela Paulista e nos empanturrando com coisinhas deliciosas para terminar bem a noite.
 
Em tempo, vale lembrar que o espetáculo está em cartaz no Teatro do Ator, ali na Praça Roosevelt, 172, ali pertinho da igreja da Consolação, sempre às quintas-feiras, às 21h00... Vai, mona, que vale a pena...
 
Tá dado o recado...
 
Beijo, beijo, beijo... Fui...

9/8/2011 - Ativistas de São João Del Rey realizam ato contra a homofobia; veja fotos
   

Foi realizado entre os dias 4 e 7 de agosto, na cidade de São João Del Rey (MG), o 1º Encontro Sudeste de Jovens Gays, que teve como foco a questão de políticas públicas para deter o crescimento do HIV/Aids entre jovens. Pesquisas recentes apontam esta parcela da sociedade como a mais vulnerável.

O encontro, que foi organizado pelo Movimento Gay da Região das Vertentes (MGRV), reuniu cerca de 80 jovens dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

HIV e Juventude
O evento realizou duas mesas que trataram de explicitar os trabalhos realizados no município de São João Del Rey e também no Estado de Minas Gerais. Vânia Gouveia falou sobre o Programa Municipal de DST/Aids de São João Del Rey. A enfermeira apresentou dados com os perfis de pessoas infectadas pelo vírus. Também relatou casos de pacientes que abandonam o tratamento e até casos de pessoas que não querem se medicar após descobrirem serem portadoras do vírus.

Sobre o programa estadual, quem discursou foi Fernanda Junqueira, que além de apresentar dados do combate ao HIV no estado de Minas, falou a respeito do programa "Pode Crer" que, segundo Fernando, é todo "executado por jovens". A expectativa é que cerca de seis mil jovens, entre homossexuais e heterossexuais, participem do programa, que vai tratar de temas como prevenção, discriminação e outros assuntos ligados a juventude.

Rio Sem Homofobia
No terceiro dia do evento, uma das mesas mais interessantes foi a qual participou Cris Simões, que trabalha com a comunicação da Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos (SUPERDIR) e revelou dados do programa e da campanha Rio Sem Homofobia.

Segundo Simões, desde que o programa entrou em execução já foram registrados mais de 970 registros de casos de homofobia - desde agressões verbais a físicas; os centros de combate a homofobia já receberam mais de 1500 atendimentos; 3200 ligações com denucias de homofobia é o número registrado até o momento pelo Disk Denúncia.

Fique Sabendo
Após a realização das mesas, os grupos de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro se dividiram por estado para debater propostas a serem encaminhadas. Um dos temas que mais causou polêmica foi a respeito da realização de testagem rápida (programa Fique Sabendo) durante as Paradas Gays, tema que foi refutado por unanimidade.

Ainda na questão do "Fique Sabendo", outra polêmica surgiu: os ativistas do Rio de Janeiro propuseram que as Ongs fossem capacitadas para realizar testes de HIV.  No entender dos militantes, muita gente não se sente bem em fazer exames em CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento), sendo assim, seria interessante disseminar a experiência da Ong Arco-Íris, que desde o ano passado realiza testes rápidos de HIV em sua sede.

Porém, boa parte dos presentes entendeu que muitas Ongs ainda não têm condições de realizar tal tarefa, visto que a demanda exige um espaço isolado e profissionais da saúde. O consenso é de que a experiência da Ong carioca seja estudada e disseminada pelo Brasil antes de ser copiada por outros grupos.

Após a aprovação das propostas, os jovens ativistas elaboraram uma carta do encontro, que pode ser lida na íntegra aqui.

Marcha contra a homofobia
Durante o evento, ativistas realizaram um ato público em defesa dos direitos humanos e da juventude LGBT no centro de São João Del Rey. Os manifestantes caminharam até a porta da prefeitura e pediram pela aplicação de políticas públicas, para que se detenha o avanço da homofobia na cidade.

A seguir, veja vídeos e fotos da manifestação e do evento.





4/8/2011 - Beeshas do Brasil: Ney Matogrosso, 70 anos de ousadias e desafios em um país conservador
   

Na última segunda-feira, 01 de agosto, Ney Matogrosso completou 70 anos de idade. São sete décadas de uma vida marcada pela ousadia, independência, autenticidade e personalidade, sobrevivendo em um país com fama de liberal, mas que cada vez mais mostra sua face conservadora.

Nascido Ney de Souza Pereira em Bela Vista, no estado de Mato Grosso do Sul, filho de pai militar, Ney morou em diversos locais na infância e adolescência, como Rio e Campo Grande. Já na década de 60, vivendo em Brasília, ele experimentou diversas profissões, até decidir ser ator, embarcando de vez para o Rio de Janeiro.

Na capital carioca, a partir de 1966, Ney buscou trabalhar no teatro, mas para sobreviver aderiu ao estilo hippie, então no auge - e ele fabricava peças de artesanato, que vendia na cidade. Foi somente em 1971, aos 30 anos, que ele iniciou oficialmente a carreira de cantor, quando ingressou no nascente grupo Secos & Molhados.

O sucesso estrondoso da banda é amplamente conhecido. O LP "Secos & Molhados", de 73, alcançou a incrível marca de 1 milhão de cópias vendidas. O grupo virou coqueluche, lotando shows em locais imensos como o Maracanãzinho. Ney Matogrosso, o vocalista, virou um superstar nacional.

Apresentando-se com visual andrógino e selvagem, que incluía penas, pedras, adereços indígenas, conchas, plumas e brilhos, salpicados com maquiagem extravagante, os integrantes da banda chocavam e fascinavam o público brasileiro, em plena ditadura militar - na fase mais pesada do regime, com a tortura e as mortes em seu pior momento.

O Secos & Molhados chegava em um período que tinha os Dzi Croquettes - grupo performático carioca que também abusava do visual andrógino - e Edy Star, representante do glam rock no Brasil. No exterior, o glam/glitter rock de David Bowie e bandas como Roxy Music e T.Rex desembocaria depois nos roqueiros do Kiss - que também maquiavam os rostos.

À frente da banda, Ney logo se destacou com sua performance impressionante nos palcos, e a incrível e agudésima voz, em registro quase feminino. A potência artística do cantor logo geraria o inevitável: ele precisava de sua própria carreira, solo. Assim, em 74, o Secos lançava seu segundo LP, na sequência o cantor abandonou a trupe.

Começava a carreira solitária de Ney, que lançou discos impecáveis nos anos 70: "Bandido" (76), "Pecado" (77), "Feitiço" (78), "Seu Tipo" (79), para citar alguns. E além da excelência nos LPs, ele continuava arrasando nos palcos, desafiando a censura e os valores conservadores da época, e atraindo para seus shows um público eclético - homens e mulheres, gays ou não, se sentiam arrebatados e seduzidos pela figura de Ney, que requebrava e provocava no palco, destruindo os limites entre masculino e feminino. Desde aquela época, é comum ouvir gritos de "Gostoso!" ou "Tesão!" na plateia de seus shows - gritos vindos de homens e mulheres, dos 20 aos 80 anos, literalmente.

Nos anos 80 ele continuou na ativa, lançando outros LPs clássicos, como "Ney Matogrosso" (81) e "Matogrosso" (82). É dessa época um de seus maiores sucessos, que falava justamente da intersecção sexual: "Homem com H".

Outros hits do cantor, entre tantos, foram "Não Existe Pecado", "Por Debaixo dos Panos", "Tanto Amar", "Manequim", "Vida Vida", "Vereda Tropical", "Viajante" - muitas delas, temas de novelas de TV. Sem falar em "Pro Dia Nascer Feliz", música de Cazuza e Roberto Frejat, que Ney transformou em hit nacional; ajudando, assim, a catapultar a carreira do Barão Vermelho e de seu vocalista, Cazuza - com quem Ney teve um rápido romance em 1979, antes de Cazuza virar cantor.

O caso entre Cazuza e Ney só ficou famoso após a morte do primeiro. A mãe de Cazuza, Lucinha Araújo, comentou o namoro em seu livro de 1997, "Só as Mães São Felizes", apesar de o tema ter sido descartado no filme "Cazuza", de 2003. Por outro lado, o romance foi mostrado no programa da Globo "Por Toda Minha Vida", na edição dedicada à Cazuza. O próprio Ney também já foi retratado em um "Por Toda Minha Vida" exclusivo.

Mas, independente do romance com Cazuza, o fato é que Ney Matogrosso nunca teve pudores em falar sobre sua sexualidade. O cantor já disse em entrevistas que na década de 70 vivia em chave bissexual, transando com homens e mulheres - ao sabor daquela época. Porém, com o tempo, foi migrando para a vida gay, apesar de também afirmar detestar rótulos.

"Eu já transei com muitas mulheres e com muitos homens. Eu acho que esse rótulo homossexual é muito recente, do final do século 19", disse o cantor em entrevista. "Homossexual, heterossexual, isso tudo é uma bobagem. É tudo sexualidade humana. Tudo isso são rótulos, é mais uma forma de manipulação, é uma palhaçada. Isso não interessa. O que importa é a liberdade de se expressar sexualmente. O ideal é que todo mundo se expresse livremente tanto com homens ou com mulheres, do jeito que bem entender. Acho que isso não deve ter nome".

Ney ainda disse: "Eu não me enquadro em nada. Sou uma pessoa muito sexualizada e manifesto a minha sexualidade da maneira que o momento permita. Sei que eu sou rotulado como homossexual. Mas são as pessoas que me rotulam assim. Eu não me rotulo dessa maneira, eu não assumo nada, não assumo que eu tenha que ser de alguma maneira só porque as pessoas acham isso sobre mim. Sou um ser humano normal, como qualquer outro". Perguntado do porquê de ser rotulado como gay, ele dispara: "Porque eu admito que transo com homens. Só por isso. Não tenho porque esconder nada".

"Eu transo com homens, sim. Mas já transei com muitas mulheres. Neste momento, não transo mais com mulher", disse ele já na década de 2000. "Inevitavelmente, a relação vira um romance. Não quero isso. Não quero me relacionar com ninguém que tenha que virar casamento. E com mulher é impossível você escapar disso. E todas elas querem casar. Até as mulheres mais loucas que eu conheci, as mais liberadas, no fundo elas queriam casar. Gosto de viver sozinho. Isso não significa que eu não possa ter um relacionamento com alguém, não possa ter pessoas com quem eu transe - mas eu não quero me casar mais, nem com homem nem com mulher. A não ser que caia um raio sobre a minha cabeça que me faça mudar de idéia. Pode acontecer!"

Em 2008, por sinal, Ney interpretou uma situação ligada a esse assunto: no curta-metragem "Depois de Tudo", de Rafael Saar, o cantor vivia um homem que mantinha um romance bissexto com outro homem, encarnado pelo ator Nildo Parente.

Ney também já disse que é um sobrevivente. Nos anos 80, antes do alarme da Aids, fez sexo com homens que já eram soropositivos, mas não contraiu o HIV. E além de toda essa lucidez e postura revolucionária sobre o assunto - sempre tabu - do sexo, e de não ter papas na língua sobre nenhum tema, incluindo as drogas, Ney desafiou outro tabu: o da terceira idade. Afinal, é espantoso que um homem de 70 anos continue requebrando no palco com uma energia invejável até para meninos de 25 anos. E com a voz intacta, após 40 anos de carreira.

E é assim mesmo: após uma fase musical em que deixou de lado o rebolado, gravou discos mais sóbrios como "Pescador de Pérolas" (86) e "À Flor da Pele" (90), além de "Um Brasileiro" (96, sobre o repertório de Chico Buarque), depois dos 60 anos Ney retomou a linha explosiva que o consagrou, e voltou com discos e shows como "Batuque" (2001), "Vagabundo" (2004) e "Inclassificáveis" (2008, onde aparecia com um figurino ousado e até arriscava momentos de nudez).

"Inclassificável" acaba sendo o melhor rótulo para Ney, já que vivemos na exigência de rótulos. Cantor, ator, diretor, iluminador, coreógrafo, o saldo que fica é de um artista transgressor, um dos mais importantes do Brasil, cujo trabalho, embora envolvendo as fronteiras sexuais, ultrapassa esse limite e torna-se muito maior. Na edição de hoje, esta coluna nem deveria ter o nome que tem e, sim, ser batizada como "Heróis do Brasil".

3/8/2011 - "Combato o privilégio, não a figura humana do gay", diz vereador do Dia do Orgulho Hétero
   

Ontem, após a Câmara Municipal de São Paulo aprovar o Dia do Orgulho Hétero, o vereador Carlos Apolinário (DEM), autor do projeto de lei, se defendeu das acusações de homofóbico.

"Meu cabeleireiro é gay. Ele me abraça, me beija, não tem nenhum problema", disse Apoli¨´aario ao Terra. Para o vereador, a data serve para debater os “privilégios e excessos” que a comunidade homossexual se beneficia. Segundo o vereador, realizar a Parada Gay na Avenida Paulista é uma injustiça com outros eventos, como a marcha evangélica, que foram transferidos para outros locais.

“Tiraram Jesus, tiraram CUT (Central Única dos Trabalhadores) e mantiveram Parada Gay. Mas se pode Parada Gay, por que não pode as outras? Não tenho nada contra o evento dos homossexuais, é direito deles. Mas em muitos casos eles não têm buscado direitos, e sim privilégios", afirmou.

Carlos Apolinário criticou ainda o fato de a prefeitura de São Paulo distribuir R$ 1 milhão de camisinhas e gel, durante a Parada de 2010. “O governo poderia ter feito um folheto que serve para gay e hetero, com informações dando conta de que sexo sem camisinha pode causar Aids. Será que precisa dar gel para gay fazer sexo?".

Mesmo declarando que não é homofóbico, o vereador pontuou que é contra o casamento gay e a adoção de crianças por casais homossexuais. "O que combato não é a figura humana do gay - é livre-arbítrio. É privilégio que vou combater”, afirmou.

O vereador Carlos Apolinário, que é é evangélico da Assembleia de Deus e dono de uma rádio Gospel, disse ainda que não irá realizar nenhuma parada no Dia do Orgulho Hetero, caso o projeto passe pela aprovação do prefeito Gilberto Kassab. 

ABGLT pede que Kassab vete projeto

A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) criticou a defesa da “moral e bons costumes” descrita no projeto do vereador Carlos Apolinário e pede, em carta aberta, para que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, “vete esta excrescência homofóbica”.

“Os 19 vereadores da Câmara Municipal de São Paulo que votaram a favor desse projeto de lei envergonharam a nação brasileira, com sua conivência com o desrespeito à laicidade do Estado, com seu aval ao preconceito, com a mensagem de ridicularização da cidadania da população LGBT que endossaram e divulgaram para o mundo afora”, diz trecho.

A ABGLT aproveitou também para parabenizar os vereadores que votaram contra o projeto. “Aproveitamos para agradecer aos(às) vereadores(as) que de forma digna e cidadã  se posicionaram contrários à aprovação do projeto de lei. Também pedimos ao prefeito Gilberto Kassab que vete esta excrescência homofóbica”.

Abaixo, confira a carta na íntegra

Nota de Repúdio da ABGLT aos Vereadores da Câmara Municipal de São Paulo que aprovaram o projeto de lei nº 294/2005 que institui o Dia Municipal do Orgulho Heterossexual
 
O dia 2 de agosto de 2011 é uma data que vai entrar para a história da cidade de São Paulo.  Infelizmente, isso acontecerá por uma razão que envergonhará a maioria dos/das cidadãos(ãs) dessa metrópole, cosmopolita, diversa, orgulho de todas e todos as(os) brasileiros(as).
 
A cidade que sempre acolheu a diversidade e que realiza a maior Parada do Orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) do mundo, com quase 4 milhões de pessoas, acaba de receber a notícia de que 19 de seus representantes na sessão da Câmara Municipal hoje aprovaram um projeto de lei obscurantista, que discrimina milhões de cidadãs e cidadãos.
 
Quando os vereadores tomam posse, juram cumprir a Constituição Federal, a Constituição Estadual e a Lei Orgânica Municipal, que é a lei maior do município, observar as leis, desempenhar o mandato e trabalhar pelo progresso do Município e bem estar de seu povo.
 
O Preâmbulo da Lei Orgânica do Município de São Paulo declara que “a presente Lei Orgânica, (...) constitui a Lei Fundamental do Município de São Paulo, com o objetivo de organizar o exercício do poder e fortalecer as instituições democráticas e os direitos da pessoa humana.”
 
Pois, ao nosso ver, o projeto de lei nº 294/2005 é um acinte propositalmente ofensivo e atentatório à democracia e aos direitos da pessoa humana.  E essa percepção não está enviesada por nossa parte. Para poder avaliar o propósito verdadeiro do projeto de lei, basta ler o conteúdo preconceituoso e discriminatório da justificativa do projeto (versão na íntegra abaixo).
 
Os heterossexuais não são discriminados pelo simples fato de serem heterossexuais, ao contrário dos homossexuais, a exemplo dos casos recentes de violência homofóbica na Avenida Paulista tornados públicos pelos meios de comunicação, entre muitos outros casos no Brasil. Os heterossexuais não são vítimas de agressões verbais e físicas, de violência, não são assassinados em virtude de sua orientação sexual.
 
A celebração do “Orgulho LGBT” ocorre justamente para reafirmar a necessidade do enfrentamento da discriminação, agressão e violência comprovada às pessoas homossexuais. É descabido propor a celebração, respaldada em lei, do “orgulho heterossexual” a fim de simplesmente desmerecer a luta social justa da população LGBT.
 
Os 19 vereadores da Câmara Municipal de São Paulo que votaram a favor desse projeto de lei envergonharam a nação brasileira, com sua conivência com o desrespeito à laicidade do Estado, com seu aval ao preconceito, com a mensagem de ridicularização da cidadania da população LGBT que endossaram e divulgaram para o mundo afora. Enquanto o Supremo Tribunal Federal dá uma lição de direitos humanos e cidadania para o mundo inteiro, ao julgar, tão somente nos preceitos da Constituição Federal, pelo reconhecimento efetivo da igualdade de direitos dos casais homoafetivos, os vereadores da Câmara Municipal de São Paulo expuseram para mundo sua mediocridade ignorante em compartilhar da mesquinharia do vereador autor do projeto de lei nº 294/2005.
 
Aproveitamos para agradecer aos(às) vereadores(as) que de forma digna e cidadã  se posicionaram contrários à aprovação do projeto de lei . Também pedimos ao prefeito Gilberto Kassab que vete esta excrescência homofóbica.
  
02 de agosto de 2011 
  
ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

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